segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Candidatos ao Enem aprovam tema da redação e avaliam matemática como prova mais difícil

O "bicho-papão" da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano foi a matemática. A redação que, nesta edição, teve como tema “A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira”, agradou e tranquilizou o segundo dia de provas para grande parte dos candidatos.
A candidata Raquel Xavier elogiou o tema da redação, mas disse que o dia de prova foi mais cansativo José Cruz/Agência Brasil A candidata Raquel Xavier elogiou o tema da redação, mas disse que o dia de prova foi mais cansativo
Raquel Xavier, 20 anos, que quer cursar Turismo na Universidade de Brasília (UnB), disse que o dia de prova hoje foi “mais cansativo”, mas disse estar confiante no resultado e acha que será suficiente para ingressar na faculdade. “O que mais pegou foi matemática, mais do que a redação que teve um tema bem atual. Acho que vai dar para entrar”, disse.
“Matemática foi o mais complicado por questões de matérias mais antigas. Para quem terminou o ensino médio há mais tempo, como eu, isto complica. Mas fiz uma boa prova”, avaliou Renan Henrique de Souza Sena, 22 anos.
Com ar de decepção, Renata Bittencourt Ponte, 20 anos, acabou sendo vítima do nervosismo. Ela se dedicou às questões de matemática e perdeu a noção de tempo para as outras provas. “Perdi muito tempo na prova de matemática e, sem querer, não olhei para cima [cronômetro atualizado pelos fiscais de prova nas salas] para ver o tempo que ainda tinha. Como a moça falou que a gente já podia sair com a prova [tempo mínimo definido para os candidatos possam levar as questões para casa] minha impressão é que faltavam só duas horas para acabar. Acabei fazendo rápido e quando entreguei vi que ainda dava tempo de fazer com calma”, lamentou.
Renata está no segundo ano de curso preparatório para o vestibular e quer estudar Medicina. Segundo ela, as universidades que lideram sua lista são particulares e não seriam beneficiadas pelo Enem. Ainda assim, não esconde a frustração. “A sensação é que tive um semestre desperdiçado por causa de falta de atenção”, disse.
Rafael Ferreira Martins, 16 anos, ainda está cursando o segundo ano do ensino médio e fez o Enem apenas como um teste José Cruz/Agência Brasil Rafael Ferreira Martins, 16 anos, ainda está cursando o segundo ano do ensino médio e fez o Enem apenas como um teste
Enquanto muitos candidatos redobram a atenção para as notas do exame deste ano, Rafael Ferreira Martins, 16 anos, que ainda está cursando o segundo ano do ensino médio, fez o Enem apenas como um teste. E a sensação do estudante, que é campeão de robótica e pretende ingressar em uma faculdade de Astronomia, é que a prova ficou abaixo da expectativa. “Foi uma prova bastante tranquila, mas ineficiente para decidir se uma pessoa está ou não apta para entrar numa universidade. Não abrange os temas da sociedade brasileira no atual momento. É uma prova bastante superficial. A redação, sim. De uma forma super sisuda, ela apresentou um pouco do que a sociedade brasileira vem vivendo. Tirando a redação, a prova como um todo foi uma grande decepção”, avaliou
Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, a candidata Brenda Evangelista 22 anos, diz que citou um exemplo familiar na redação. Ela acredita que o tema escolhido pode ter efeito pedagógico para os estudantes. “Existem muitas pessoas ignorantes nesse assunto. E é bom ver o que está acontecendo hoje em dia para que o futuro melhore”.
Rio de Janeiro - O estudante, Albano de Viveiros, deixa a sala de provas no segundo dia do ENEM, na UERJ (Tânia Rêgo/AgênciaBrasil) Tânia Rêgo/AgênciaBrasil Rio de Janeiro - O estudante, Albano de Viveiros, deixa a sala de provas no segundo dia do ENEM, na UERJ (Tânia Rêgo/AgênciaBrasil)
O motorista de ônibus Albano de Viveiros, 53 anos, fez o Enem pela primeira vez e que cursar história, disse que a prova de matemática foi a mais complicada do dia.  “Chutei tudo o que podia”, confessou.
A estudante Renata Bittencourt Ponte diz que ficou nervosa e não fez boa prova José Cruz/Agência Brasil A estudante Renata Bittencourt Ponte diz que ficou nervosa e não fez boa prova
Já para a estudante Carolina Jonas, 18 anos, a maior dificuldade foi a prova de português. “Era muito texto, muito grande, tem uma hora que você não consegue mais ler, sua cabeça vai se confundindo toda. Não é difícil, a prova é cansativa”, ponderou.
Balanço
Neste domingo, segundo dia de provas do Enem, além da redação, os alunos tiveram cinco horas e meia para resolver 45 questões de linguagens e códigos e 45 de matemática. Os portões para entrar nos locais de prova fecharam às 13h, no horário de Brasília.
No caso da redação, para que tenham alguma chance, os candidatos precisam escrever mais de sete linhas e não fugir do tema proposto nem fazer brincadeira ou deboche com o tema. A estrutura deve ser dissertativo-argumentativa, com exposição de argumentos sobre o tema, em que serão analisadas consistência e coerência.
O Ministério da Educação estabelece cinco competências a serem analisadas e cada uma tem cinco faixas que vão de 0 a 200 pontos. Para definir a nota da redação, são considerados critérios como domínio da norma-padrão da língua escrita, compreensão da proposta da redação e aplicação de conceitos de diversas áreas do conhecimento para desenvolver o tema; capacidade de selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações para defender um ponto de vista; conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e elaboração de proposta de intervenção ao problema abordado, respeitando os direitos humanos.
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fará um balanço dos dois dias do exame em entrevista coletiva às 19h. Ontem (24), Mercadante classificou o sábado como um dia “tranquilo” de prova. Segundo dados do MEC,  364 candidatos foram eliminados, sendo que 330 dos casos ocorreram em função de porte de equipamentos inadequados e 34 foram identificados com objetos proibidos pelos detectores de metal. A abstenção ficou em 25,31%, menor do que a registrado em 2014.
Caiu no Enem
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) transmite ao vivo, a partir das 20h30, o programa Caiu no Enem, com comentários de professores e especialistas sobre as provas aplicadas no fim de semana.
O candidato pode acompanhar o programa pelo Portal EBC e pelas rádios MEC AM Rio de Janeiro, Nacional FM Brasília, Nacional da Amazônia e Nacional do Alto Solimões no sábado e no domingo, às 20h30. Na Rádio Nacional AM Brasília, o programa será transmitido apenas no domingo.
Os estudantes poderão participar e enviar perguntas aos professores usando a hashtag #EnemDia1 (no sábado) e #EnemDia2 (no domingo). Também é possível enviar comentários diretamente nos perfis da EBC nas redes sociais, pelo Facebook  ou pelo Twitter.
O Caiu no Enem será veiculado pela TV Brasil, à meia-noite do dia 25 e à meia-noite e meia do dia 26.
* Colaboraram Tâmara Freire e Isabela Vieira, do Rio de Janeiro

Enem 2015 teve menor índice de abstenção desde 2009

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) feito este ano registrou o menor índice de abstenção desde 2009: 25,5%. A informação foi divulgada hoje (25) pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. Na edição do ano passado, o índice foi 28,9%.
"Temos conseguido reduzir as abstenções progressivamente", disse Mercadante durante coletiva de imprensa.
O ministro reforçou que os estudantes que conseguiram isenção da taxa de inscrição este ano, mas não justificaram ausência na prova só farão o Enem em 2016 mediante pagamento.
Ainda durante a coletiva, Mercadante avaliou a aplicação das provas em 2015 como um trabalho exitoso.
"Tivemos um excelente exame, apesar do tamanho extraordinário que tem o Enem", disse. "Tivemos todas as premissas que asseguram que os candidatos possam fazer a sua prova em condições adequadas”.
A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) transmite ao vivo, a partir das 20h30, o programa Caiu no Enem, com comentários de professores e especialistas sobre as provas aplicadas no fim de semana.
O candidato pode acompanhar o programa pelo Portal EBC e pelas rádiosMEC AM Rio de Janeiro, Nacional FM Brasília, Nacional da Amazônia e Nacional do Alto Solimões no sábado e no domingo, às 20h30. Na Rádio Nacional AM Brasília, o programa será transmitido apenas no domingo.
Os estudantes poderão participar e enviar perguntas aos professores usando a hashtag #EnemDia1 (no sábado) e #EnemDia2 (no domingo). Também é possível enviar comentários diretamente nos perfis da EBC nas redes sociais, pelo Facebook https://www.facebook.com/ebcnarede?fref=tsou pelo Twitter https://twitter.com/ebcnarede.
O Caiu no Enem será veiculado pela TV Brasil, à meia-noite do dia 25 e à meia-noite e meia do dia 26.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Atriz Yoná Magalhães morre em casa de saúde no Rio

Artista estava internada na Casa de Saúde São José, no Humaitá.
Atriz estava no CTI do hospital devido a um problema cardíaco.

Yoná Magalhães na novela Cama de Gato (Foto: Renato Rocha Miranda / TV Globo)
Yoná Magalhães na novela Cama de Gato (Foto: Renato Rocha Miranda / TV Globo)
Morreu no Rio, na manhã desta terça-feira (20), a atriz Yoná Magalhães, de 80 anos. Ela estava internada, desde o dia 18 de setembro, na Casa de Saúde São José, no Humaitá, Zona Sul do Rio. A atriz estava no CTI do hospital devido a um problema cardíaco.
Atriz de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), Yoná Magalhães entrou para a vida artística para ajudar a família quando o pai ficou desempregado. “Eu tinha que ajudar de alguma maneira, não sabia muito como, queria continuar os meus estudos. Gostava de brincar de teatro, essas coisas que todo mundo faz. Então eu digo: ‘Quem sabe não é por aí, né?’ Fui fazendo pequenas pontas, pequenos papéis, isso em meados da década de 1950, até que consegui um contrato com a Rádio Tupi”.
Yoná Magalhães Gonçalves nasceu no dia 7 de agosto de 1935, no bairro do Lins, no Subúrbio do Rio de Janeiro. Depois de passar pela rádio, ela estrelou sua primeira telenovela, convidada por Antônio Leite. Em seguida, participou de novelas e do Grande Teatro da TV Tupi e excursionou pelo Brasil com as peças "O Amor é Rosa Bombom e Society em Baby-Doll", em 1962, com a companhia de André Villon e Ciro Costa.
Yoná Magalhães foi Esther na novela Cobras e Lagartos, da TV Globo (Foto: Isac Luz / TV Globo)Yoná Magalhães foi Esther na novela Cobras e
Lagartos, da TV Globo (Foto: Isac Luz / TV Globo)
Veja a repercussão nas redes sociais:

Othon Bastos, ator, na Globo News
"A notícia é muito triste. Era uma colega maravilhosa. Ela vai deixar muita saudade principalmente para os amigos que ficaram. Eu tinha um grande afeto, amizade por ela. Fomos colegas por mais de 50 anos. Eue ela tenha bastante luz, que seja recebida com muita paz. Era uma excelente atriz e não tem quem fique no lugar"

Ana Beatriz Barbosa, médica e escritora, no Twitter
"RIP : Yona Magalhães , triste em saber que deixaremos de ver seu talento"
Fátima e William ‏Bonner, apresentadores da TV Globo, no Twitter
"Que DEUS abençoe e dê força pra toda família e amigos da Yoná"

Juca de Oliveira, ator, na GloboNews
"Ela foi uma pioneira. O espectador entrou em contato com a televisão logo com a Yoná. Além de ser uma mulher lindíssima, era um talento excepcional. Foi uma perda enorme. Era uma amiga leal, generosa, muito dedicada, sempre presente e disposta a ajudar mesmo as pessoas mais inexperientes estava disposta a ler o roteiro com elas".
 A vida da atriz
Durante a turnê teatral, conheceu e se casou com o produtor Luis Augusto Mendes e foi morar na Bahia. Em Salvador, participou com o grupo A Barca, formado por ex-alunos da Escola de Teatro, do Grande Teatro, na TV Itapoã, sob a direção de Luiz Carlos Maciel. Também atuou no filme de Glauber Rocha, um marco do Cinema Novo.
Yoná também atuou em uma das novelas de maior sucesso da história da Rede Globo: Roque Santeiro, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, onde interpretou a Matilde, dona da boate onde trabalham as dançarinas Ninon (Cláudia Raia) e Rosaly (Isis de Oliveira). A seguir, participou da novela O Outro (1987), de Aguinaldo Silva, na qual viveu outra personagem exuberante, a Índia do Brasil.
Yoná Magalhães ao lado de Rosa Maria Murtinho, Ney Latorraca, Flavio Migliaccio, Eva Todor, Aracy Balabanian, Yoná Magalhães e Orlando Drummond em homenagem ao talento brasileiro na campanha de fim de ano da Globo (Foto: Aline Massuca / Globo)Yoná Magalhães ao lado de Rosa Maria Murtinho, Ney Latorraca, Flavio Migliaccio, Eva Todor, Aracy Balabanian, Yoná Magalhães e Orlando Drummond em homenagem ao talento brasileiro na campanha de fim de ano da Globo (Foto: Aline Massuca / Globo)
A atriz trabalhou ainda em outras novelas da mesma autora, como O Sheik de Agadir (1966), A Sombra de Rebecca (1967), O Homem Proibido (1968), A Gata de Vison (1968/1969), quando contracenou com Tarcísio Meira, A Ponte dos Suspiros (1969) e O Outro (1987).

sábado, 17 de outubro de 2015

BANDA CALIPSO NÃO QUER JOELMA.

Sem Chimbinha, banda se apresentou em boate de Fortaleza. 
Cantora reforçou que vai deixar banda no final deste ano; veja vídeos. 

Elias Bruno
Sem Chimbinha, a Banda Calypso se apresentou nesta sexta-feira (16) em Fortaleza. No palco, a cantora Joelma agradeceu ao carinho que tem recebido dos fãs desde que anunciou a separação do ex-marido e guitarrista do grupo e a saída da banda. "Eu estou muito feliz. Queria agradecer aqui cada oração, cada apoio de cada pessoa. Isso está sendo muito importante para mim. Deus sabe o que fez quando colocou vocês no meu caminho", afirmou.
A cantora também reforçou que não vai continuar na banda em 2016. "Quero dizer para vocês que eu fico na Calypso até o dia 31 de dezembro e a partir daí eu vou trilhar um novo caminho e Deus vai me dizer qual é esse caminho que nem eu sei",  explicou.  Enquanto falava, ela ouvia os fãs em coro dizendo frases de apoio como: "Joelma, eu te amo" e "Estamos com você". 

Em "Esqueça meu coração", música que fala da descoberta de uma traição, Joelma aponta para um bailarino que encena a letra e diz: "Depois que descobre, fica assim. O que é que merece?". Em seguida, ela começa a simular chutes e pisadas fortes no chão. "Não faz isso não (risos)", completou, brincando. Outro momento em que a cantora comoveu o público foi na música "Lágrimas de sangue", quando cantou o trecho "Desprezou o amor que eu te dei, Foi por isso que eu te deixei" e foi acompanhada por gritos dos fãs. Confira no vídeo acima.
 
Choro de alegria
Em duas horas de apresentação, Joelma se mostrou animada e fez todas as coreografias ao lado dos quatro bailarinos. A cantora também interpretou a canção gospel "Buscar tua face é preciso", momento em que se emocionou e terminou a música ajoelhada e chorando. "Vocês já choraram de alegria? Depois que eu conheci o Espírito Santo, eu tenho chorado de alegria todos os dias", disse após se levantar. Diferente dos shows anteriores, o setlist da banda não incluiu o hit "A Lua me traiu", mas trouxe sucessos como "Isso é Calypso", "Acelerou", "Tchau pra você", "Dudu", entre outros. Confira no vídeo acima.
Fãs do Calypso em show na Boate Donna Santa, em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)Fãs do Calypso em show na Boate Donna Santa, em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)
Fãs do interior e de outros estados
O show na Boate Donna Santa, próximo à Praia de Iracema, teve a presença de vários fã-clubes da banda, incluindo um que veio de Salvador e cujas integrantes enfrentaram 18 horas de viagem. "Daqui, vamos para Parnamirim, no Rio Grande Norte, assistir a outro show deles", disse Michele Silverio.
A separação de Joelma e Chimbinha é um assunto já digerido por alguns fãs. "Lamentamos a separação, mas agora é hora de cada um seguir seu caminho. A imagem que fica é daquela casal unido, que fez história", opinou Adalberto Araújo, que viajou quatro horas de Sobral, no interior do Ceará, para ver o show na capital. Após a apresentação, 100 fãs ganharam pulseiras para se encontrar com a cantora no hotel onde ela estava hospedada.
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Joelma interage com os fãs em show em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)Joelma interage com os fãs em show em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)
Chimbinha no Fantástico
O show do Calypso em Fortaleza depois de o Fantástico, da TV Globo, exibir uma entrevista com Chimbinha. O guitarrista admitiu que traiu Joelma, mas negou que tenha agredido a ex-mulher. Foi a primeira vez que o músico falou sobre a separação.
 Durante a conversa, o artista disse que vai encontrar outra cantora para que a banda não deixe de existir. "A banda Calypso não pode acabar. Se não for com ela vai ser com outra pessoa", disse.
Segundo ele, os problemas conjugais ocorreram por desgaste. "São muitas histórias. O excesso de trabalho levou a um desgaste muito grande. A gente não conversava mais sobre nós dois, sobre nossos filhos, sobre o nosso casamento."
 
Joelma, bailarinos e o guitarrista Ian Marinho em palco de show em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)Joelma, bailarinos e o guitarrista Ian Marinho em palco de show em Fortaleza (Foto: Sebastião Mota/ G1)
Antes de Fortaleza
Para o show em Fortaleza, o guitarrista escalado foi Ian Marinho, que já havia acompanhado o Calypso depois que a Justiça do Pará determinou que Chimbinha não poderia se aproximar de Joelma, com base na lei Maria da Penha.
Joelma registrou um boletim de ocorrência na delegacia do bairro Jaderlândia, em Ananindeua, alegando que se sentia ameaçada pelo ex-marido. A medida judicial foi cancelada por uma liminar da Justiça, que permitiu posteriormente que Chimbinha tocasse com a ex-mulher.
A informação de que Chimbinha não iria aos próximos shows do Calypso foi divulgada na última quarta-feira (7) pela assessoria do guitarrista. No comunicado, o músico pediu desculpas aos fãs do Calypso em Santo Antônio do Descoberto e Niquelândia, em Goiás, e em Brasília, que não veriam a formação completa da banda.
 “Não se preocupem: a gente se reencontra em breve. Ainda falta muito tempo para que alguém faça a minha guitarra calar. Amo cada um desses fãs que respeitam a Calypso e sua história”, diz um trecho.
Outro que não se apresenta mais com a banda é o baterista Juquinha. Ele foi substituído por Anderson Souza. De acordo com a assessoria de Chimbinha, o percussionista foi atingido no olho por um objeto, que teria sido arremessado por alguém da plateia durante show do Calypso em Teresina, no último domigo (4), e que por isso quis se desligar da banda, onde tocava havia 11 anos. A agressão não foi registrada na polícia.

“Não vou colocar em risco a vida de quem me acompanha há muitos anos, seja ele músico, roadie, motorista, produtor, figurinista, um fã e até mesmo minha ex-esposa. A situação em Teresina poderia ter tido um final trágico e eu não quero isso nem pro meu pior inimigo, quanto mais para pessoas que eu respeito. Quem quiser brincar com esta situação que brinque, mas quem me conhece sabe do meu profissionalismo e responsabilidade; não farei isso”, disse Chimbinha.
Joelma em show no Ceará (Foto: Sebastião Mota/ G1)Joelma em show no Ceará 

Brasil ainda vai demorar sair da crise, apontam analista.

Mercado vê dólar em R$ 4 até 2019 e PIB negativo no 2º mandato de Dilma
Previsão média para IPCA sobe e contas devem ficar no vermelho até 2016.

Alexandro Martello
A economia brasileira vai demorar para sair do buraco. Segundo a percepção de economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central e analistas consultados pelo G1, as previsões que, no início de 2015, indicavam um ajuste mais rápido para controle da inflação, para as contas públicas e nível de atividade, agora mostram que esse processo deve demorar bem mais tempo – podendo abranger o segundo mandato inteiro da presidente Dilma Rousseff.
No início deste ano, o mercado financeiro estimava um dólar abaixo de R$ 3 até 2019, um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo nos quatro anos do segundo mandato de Dilma, superávit primário das contas públicas (a economia feita para pagar juros da dívida) em todo este período, de 2015 a 2018, e inflação média (nos quatro anos de governo) abaixo de 6% – além de taxas de juros mais baixas.
PREVISÕES PARA A ECONOMIA
Para 2015, feitas em janeiro e outubro
6,589,530,5-2,852,8412,514,25Inflação janeiroInflação outubroPIB janeiroPIB outubroDólar janeiroDólar outubroSelic janeiroSelic outubro-505101520
Fonte: BC
Na semana passada, menos de dez meses depois, o mercado já vê o dólar acima de R$ 4 até 2019, o PIB médio negativo para o segundo mandato de Dilma, juros mais altos e inflação maior, acima, pela média, de 6,3% – com novo crescimento em relação aos quatro anos anteriores.
De modo geral, os analistas acreditam que a piora do quadro está relacionada, principalmente, com as dificuldades do governo em acertar as contas públicas, o que deve impactar, mais ainda, as taxas de emprego nos próximos anos.
Dificuldades
"Por mais que a economia internacional tenha contribuído para o quadro de dificuldades, a crise no Brasil é fundamentalmente interna e do setor público [contas em desordem]. O que mina a confiança dos agentes e causa instabilidade. Reverter esse quadro é crítico e está se mostrando muito demorado. Uma crise fiscal [das contas públicas] dessa magnitude, talvez você tenha um período longo [de recuperação] como a Europa teve. Em alguns países da Europa, você tem quatro ou cinco anos [para se recuperar]. Eu diria que, de certo modo, pode ser um segundo mandato inteiro [da presidente Dilma] de ajuste", avaliou o chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flavio Castelo Branco.
Adriano Gomes, sócio-diretor da Méthode Consultoria e professor do Curso de Administração da ESPM, também acredita que o ajuste na economia poderá demandar todo o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
"É bem por aí. Na economia real, você tem quebra das empresas, falência grande, desemprego elevado e empresas com pedidos de recuperação judicial como nunca se viu. O ajuste fiscal está jogando a economia mais ainda na recessão. A CPMF [cujo retorno está sendo proposto pela equipe econômica] é um imposto perverso, cumulativo. Nasce no primeiro elo da cadeia e vai até o consumidor final", avaliou ele, que defendeu um corte maior nos gastos para equilibrar as contas públicas ao invés de alta de tributos.
Previsões para o PIB
Segundo pesquisa do BC com mais de 100 instituições financeiras, realizada na semana passada, o Produto Interno Bruto (PIB) terá dois anos de retração, em 2015 e 2016, de respectivamente, 2,97% e de 1,20% – algo que não ocorre desde o início da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1948.
A previsão é de um retorno ao campo positivo somente em 2017 (+1%), avançando para 2% de alta em 2018. Mesmo assim, no segundo mandato da presidente Dilma, ficaria negativo, pela média, em 0,29% – a pior marca desde o governo Collor, que registrou média negativa de 1,28% entre 1990 e 1992. No início deste ano, a estimativa era de um crescimento médio do PIB de 1,7% no segundo mandato de Dilma.
De 1985 a 1990, no governo Sarney, o PIB avançou, pela média, 4,3%. De 1990 a 1992, no governo Collor, recuou 1,28%. Entre 1992 e 1994, na gestão de Itamar Franco, teve expansão média de 5,3%. No primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, entre 1995 e 1998, registrou crescimento de 3%. No segundo mandato de FHC, houve expansão de 2,3%.
No primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 2003 a 2006, o PIB avançou 3,5% e, no seu segundo mandato (2007 a 2010), cresceu 4,6% - ainda pela média dos quatro anos. De 2011 a 2014, no primeiro mandato da presidente Dilma, foi registrado crescimento médio de 2,14%.
'Mãe' de todos os problemas
Segundo Adriano Gomes, a "mãe" dos problemas da economia brasileira é a gestão das contas públicas.
"Nós vemos uma queda constante do superávit primário nos últimos anos, até que se chegou ao desastre total com as tais pedaladas fiscais [nos dois últimos anos], que estão na ordem do dia. As agências de risco têm a mesma visão. Elas acompanham não só este indicador, mas também o aumento da dívida pública, chegando a um número que elas consideram crítico, na casa de 65% [para a dívida bruta]. Isso fez com que o país perdesse o grau de investimento", avaliou ele.
Os economistas das instituições financeiras, consultados pelo BC em sua pesquisa semanal, abrangendo mais de 100 bancos, não acreditam que o governo conseguirá levar adiante o ajuste nas contas públicas prometido. A meta deste ano é de um superávit primário de 0,15% para todo o setor público (governo, estados, municípios e empresas estatais), ou R$ 8,7 bilhões. Até agosto, porém, o resultado está deficitário em R$ 1,1 bilhão.
Para 2015, o mercado prevê um déficit de 0,30% do PIB e, para 2016, um resultado também negativo - de 0,20% do PIB (ainda bem distante da meta de superávit de 0,7% do PIB fixada para o próximo ano) - perfazendo três anos no vermelho, visto que 2014 já foi deficitário. As contas voltariam ao azul somente em 2017 (com superávit de 0,80%).
Turbulências políticas e Lava Jato
Segundo análise da agência Moodys, além da deterioração das contas públicas, as turbulências políticas e as investigações da operação Lava Jato, que apura esquema de corrupção na Petrobras, levaram à uma queda do emprego, do consumo e dos salários, levando a uma retração do PIB em 2015 e 2016.
"O quadro político está muito desgastado para fazer ajustes na magnitude em que eles são necessários, como alterar regras de benefícios previdenciários, assistenciais e regras de vinculação de despesas. Mudar o processo orçamentário. Tudo isso exige maiorias legislativas significativas. Se sele conta no ajuste fiscal com os recursos dessas medidas, e se há dificuldade em aprová-las, isso passa um ambiente de incerteza e instabilidade. O que é mortal para a retomada da economia. O investimento é a mola para iniciar um processo de retomada", avaliou o Flavio Castelo Branco, da CNI.
Os impactos diretos e indiretos da Operação Lava Jato na economia, por sua vez, podem tirar R$ 142,6 bilhões da economia brasileira em 2015, o equivalente a uma retração de 2,5% do PIB (Produto Interno Bruto), segundo estudo da consultoria GO Associados antecipado ao G1. “O impacto será um pouco menor, mas ainda muito significativo. No último cálculo consideramos uma redução de 42% nos investimentos da Petrobras”, explicou, em agosto, Gesner Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas e sócio da consultoria GO Associados.
Desemprego subindo
Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, a taxa de desemprego metropolitana medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que subiu para 7,6% em agosto deste ano, deve encerrar este ano em 8% e tende a continuar avançando em 2016. "É bem provável que se agrave no início de 2016. É possível que tenhjamos um quadro mais agravado pelo reajuste do salário mínimo [que acontecerá no início do ano que vem]", avaliou Castelo Branco.
Para Rodolfo Torelly, especialista no mercado de trabalho, deverão ser fechadas 1,38 milhão de vagas formais neste ano, no pior resultado da série histórica dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que começa em 1992. Até agosto deste ano, 572 mil vagas com carteira assinada foram fechadas. "O mercado de trabalho está refletindo o que a economia está mostrando. Acho que a gente não chegou no fundo do poço ainda. Todo mês a situação esta piorando", declarou. Para ele, a taxa de desemprego, medida pelo IBGE, certamente vai chegar a 10% em 2016. 
Dólar mais alto
No início deste ano, o mercado financeiro estimava um dólar abaixo de R$ 3 até 2019. Na semana passada, segundo estimativas colhidas pelo Banco Central com mais de 100 instituições financeiras, porém, o cenário já havia se alterado significativamente.
Aos olhos dos economistas dos bancos, o dólar alto veio para ficar. A previsão é de que o dólar termine este ano em R$ 4, avance para R$ 4,15 no fechamento de 2017, termine 2017 e 2018 em R$ 4 e que suba para R$ 4,11 no fim de 2019.
Essa, porém, é uma estimativa sujeita a erro, uma vez que os próprios economistas costumam dizer que Deus inventou o câmbio para lhes ensinar humildade. Nesta semana, por exemplo, a moeda americana já está operando ao redor de R$ 3,80.
Mais inflação
No campo da inflação, as previsões dos analistas ouvidos pelo BC em sua pesquisa semanal também estão piorando no curto prazo, colocando em xeque a meta do Banco Central de trazer o IPCA para a meta central de 4,5% em 2016 - embora estejam melhores para 2017 e 2018. O objetivo de atingir a meta central de inflação de 4,5% em 2016 foi anunciado no fim do ano passado e, até o momento, ainda não foi alterado.
No início de 2015, o mercado estimava um IPCA de 5,70% para o próximo ano, valor que recuou para até 5,40% em agosto. Depois, porém, com a deterioração das contas públicas e revisão para baixo das metas fiscais, voltou a subir, atingindo 6,05% na semana passada - vem mais próximo do teto de 6,5% do que do objetivo central de 4,5%.
A inflação média projetada para o segundo mandato da presidente Dilma está em 6,36% - considerando as últimas previsões do mercado financeiro (9,70% para este ano, 6,05% para 2016, 5% para 2017 e 4,7% para 2018). Com isso, em termos de mandatos presidenciais, haverá nova piora, se esse cenário se confirmar. No primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, o índice somou 6,16%, contra 5,14% no último mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Seria a maior inflação, por mandatos, desde a primeira gestão de Lula, entre 2003 e 2006 - que teve inflação média de 6,43%.
Juros mais altos
Mesmo sem atingir a meta central de inflação de 4,5% até 2018, o mercado financeiro também não prevê que a taxa básica de juros da economia brasileira, atualmente em 14,25% ao ano - o maior patamar em nove anos e os juros reais (após o abatimento da inflação estimada para os próximos 12 meses) mais altos do mundo - caindo fortemente. A previsão é de que a taxa recue para 12,63% ao ano no fim e 2016, para 11% ao ano no fechamento de 2017 e para 10% ao ano no fim de 2018, ou seja, ainda no patamar de dois dígitos até o fim do segundo mandato de Dilma Rousseff.